No outro dia, na Faculdade, durante o café da manhã, estava com as raparigas à conversa. E perguntei: "Alguma de vocês conseguiu manter a amizade com o vosso ex namorado?". A Teresa disse que sim, que ainda ia tomar cafés com ele. Ao passo que a Alexandra disse: "O quê?! Jamais. Que nojento". Digamos que, de nós as oito, a percentagem das que ainda são amigas do derradeiro ex é negativa.
E, agora, pergunto-me - a mim e a vocês: Será realmente possível manter uma amizade com alguém que partilhámos um grande amor? Sem quaisquer segundas intenções ou ressentimentos? Será possível?
Acho que tem tudo a ver com o "conseguir perdoar" e "conseguir seguir em frente". Sim, porque nem vou chamar o verbo "esquecer" para a equação, visto que, por muito que tentemos, esquecer alguém é realmente pouco provável. Eu ainda me lembro da minha professora da pré-escola. Tenho dito.
A Alexandra disse, naquela conversa, que "odiar é a forma mais fácil de esquecer". E algumas delas concordaram. Disseram-me que se eu, todos os dias, ao deitar-me, pensasse nalgo que detestava intoleravelmente acerca do meu ex, que iria ajudar. Mas no que é que odiá-lo me ajudará a manter uma amizade com ele? "Mas tu queres ser amiga dele, porquê?", perguntou-me a Alexandra, com um olhar de desprezo. E eu ia responder, mas calei-me. Sei lá. Simplesmente acho que se fomos amigos antes de tudo o resto... porque não voltar a isso mesmo?
Talvez seja mais uma daquelas situações em que é muito relativo e que depende muito do caso. Imaginemos: o meu ex traiu-me com a colega de trabalho de grupo e vim a descobrir por outra pessoa. Bem. Talvez não quero um amigo 'desses' na minha vida, não é? Mas e então quando a relação acaba de uma forma mais pacífica e racional? Sem confianças quebradas, sem mentiras e sem muitos rancores? Sim, aí parece-me bem.
A verdade é que sempre fui pessoa de me manter amiga dos ex's. Mas não logo de seguida; e não de ânimo leve. Aliás, primeiramente, odiei-os durante meses. Difamei-os. E, por fim, convenci-me a mim própria que não precisava deles para nada. E, depois... Depois, olha! Dava por mim e estava com eles, numa esplanada, a falar sobre tudo e mais alguma coisa, como se sempre tivesse sido assim.
Será que temos obrigatoriamente de passar pela fase do "ódio ao ex"? Do "nojo" e da "cólera"? Para deitarmos todas as energias negativas fora e, mais tarde, conseguirmos voltar à estaca zero?

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